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Motivos da Imigração Japonesa, enfocando a população de Hokkaido no Brasil PDF Imprimir E-mail
Por Administrator   
05 de September de 2008
Do séc. XII ( Kamakura Bakufu) até a metade do séc. XIX ( Tokugawa Bakufu), no Japão havia um controle rígido de natalidade, estabelecido pelos Shôguns. O limite máximo que poderia atingir a população do Japão girava em torno de 25 milhões de habitantes. A causa disso foi que o Japão, sendo um país basicamente agrário, não possuía, naquela época, recursos nem estrutura para comportar um aumento maior de população. O controle adotado variava de no máximo 1 filho em algumas províncias e de no máximo 3 em outras. O aborto foi o principal controle populacional, praticado naturalmente. Esse controle manteve uma estabilidade populacional por mais de 300 anos.

No início do século XIX o governo do Bakufu estava em crise, a insubordinação dos seguidores shogunais, levantes de camponeses, aumento da miséria, tanto no campo como nas cidades, enriquecimento excessivo dos comerciantes, depauperação da elite dirigente e crescimento da população urbana com o afluxo de lavradores que vêm multiplicar as fileiras dos trabalhadores citadinos e dos mendigos, e também com a fixação do crescente número de Ronin ( Samurai sem chefe em virtude do arruinamento do daimyo ou porque preferiu solicitar dispensa de suas obrigações, diante da crise econômica e política do momento).

Além disso, vários países ocidentais pressionavam o Japão para que abrisse seus portos ao comércio internacional. Sucessivamente russos, ingleses, holandeses e norte-americanos se manifestaram. Em 1854, o Bakufu foi forçado a assinar um acordo, para a abertura de dois portos aos navios mercantes de bandeira norte-americana, com o Comodoro norte-americano Mathew Calbraith Perry e, em seguida, fez acordos semelhantes com a Grã-Bretanha, Rússia e Holanda, que provocaram a revolta de grande parte da população japonesa.

De acordo com o Convênio Tokugawa, instituído pelos ocidentais e o governo japonês, o aborto tornou-se crime, marcando o fim da restrição aos nascimentos. A consequência dessa medida foi o crescimento da população, fator esse que gerou um superpovoamento, num país praticamente agrário como era o Japão do séc. XIX.

Uma das soluções para esta crise populacional foi a emigração, iniciada primeiramente no Havaí (1869, 153 operários japoneses). A partir de 1870, o governo japonês, em plena fase de abertura para o Ocidente, tomou iniciativa de demonstrar interesse pelo Brasil com fins imigratórios, processo iniciado em 1868, primeiro ano da revolucionária era Meiji (1868-1912). Nessa fase a maioria dos imigrantes japoneses se dirigia para regiões da Ásia e América do Norte.

No início do século XX os motivos principiais que levaram o Brasil e o Japão a concretizar um acordo que propiciasse a introdução do japonês no Brasil, foram os seguintes: do lado do governo japonês, o alto crescimento demográfico da população do arquipélago, a estabilidade econômica momentânea que gozava o Brasil e a possibilidade, cada vez mais aparente, de que outros países fechariam seus portos ao imigrante japonês dentre dos quais os EUA e Canadá e por parte do governo paulista, os motivos foram: a dificuldade naquele momento (1907) em receber imigrantes europeus, a esperança da fácil adaptação e fixação do imigrante japonês nas fazendas, juntamente com o incremento das relações comerciais entre Brasil e Japão propiciando a abertura de um novo mercado consumidor de café brasileiro.

Finalmente, em 28 de abril de 1908 partia do porto da cidade de Kobe (Japão) rumo ao Brasil o vapor Kasato-Maru. Depois de viajar quase dois meses, aportou na cidade de Santos no dia 18 de junho de 1908, trazendo os primeiros 781 imigrantes japoneses destinados ao trabalho na lavoura cafeeira no interior do Estado de São Paulo.

Treze meses após a chegada do Kasato-Maru e da inserção dos imigrantes japoneses no interior de São Paulo, constatou-se que apenas um quarto dos japoneses permaneceram nas fazendas; sendo que outros três quartos desiludidos na sua maioria com as condições de trabalho aqui encontradas, que diferia muito da propaganda feita pelas companhias de imigração do Japão, abandonaram as fazendas. Alguns vieram para a cidade de São Paulo, e outros se transferiram para outras fazendas ou voltaram para o Japão.

Os motivos reais, identificados nas atitudes dos imigrantes japoneses no período que abrange 1908 a 1925, na realidade se baseava no fato de que quando aqui aportaram, os japoneses tinham como ideal, trabalhar (muito) e num curto período de tempo (cinco a dez anos) amealhar uma certa quantia de dinheiro para, em seguida retornar mais rápido ao Japão. A idéia de fixação não fazia parte do projeto de vida da maioria destes imigrantes.

Os imigrantes japoneses procedentes de Hokkaido não fogem a esse padrão de imigrante oriundo do Japão e que veio para o Brasil trabalhar.

Os primeiros imigrantes oriundos de Hokkaido, oficialmente chegaram no ano de 1920, portanto doze anos após o início da imigração japonesa para o Brasil (1908).


Levas entre 1920/1923 Número de imigrantes de Hokkaido Navio

31° 8 Tosa-Maru

32° 19 Kawachi-Maru

33° 1 Tosa-Maru

34° 4 Panamá-Maru

35° 0 Kawachi-Maru

36° 14 Tacoma-Maru

37° 0 Seatle-Maru

38° 0 Chicago-Maru

39° 28 Kagawa-Maru

40° 0 Chicago-Maru

41° 0 Kagawa-Maru

42° 0 México-Maru

TOTAL 74


A maioria foi para as fazendas no interior do Estado de São Paulo e para a Colônia de Iguape, fundada em 1913 pela Companhia de Colonização Brasil (Brasil Takushoku Kaisha). E que no momento da chegada dos primeiros imigrantes de Hokkaido estava sob a direção da Empresa Japonesa de Colonização, K.K.K.K. (Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha) sucessora da Companhia de Colonização Brasil.


Um breve histórico do Japão ...




Torna-se necessário ao falarmos sobre o início da História do Japão fazer um recuo de cerca de 2.600 anos, quando um povo chamado "aino" ocupava grande parte do arquipélago nipônico, sendo considerados seus primeiros habitantes.

Nas crônicas históricas os ainos são chamados de Emishin ou Ezojin (Ezo é a outra denominação da ilha de Hokkaido), são indivíduos totalmente diferentes dos atuais japoneses, assemelhando-se mais aos ocidentais do que aos orientais. Atualmente uma minoria deles, cerca de 12.000 ainos e descendentes, se concentram ao norte do Japão, em Hokkaido, ilhas Kurilas e ilha Sakhalina .

Segundo a lenda sobre a origem do Japão e de seu povo, os antepassados dos atuais japoneses começaram uma invasão conquistadora nos tempos pré-históricos pela ilha de Kyushu, a mais meridional do arquipélago. De lá alcançaram as demais, uma a uma em combates sucessivos contra os ainos, a quem rechaçaram sempre para maios longe, até o norte. Chefiava-os Jimmu Tenno que, pela lenda, em 660 a. C. funda, no centro da ilha de Kyushu, o reino de Yamato. Este é considerado o ponto de partida da História do Japão.

Jimmu Tenno descendia diretamente da deusa sol, Amaterasu Omikami, com ele inciou-se uma linhagem que chega até os nossos dias totalizando 125 monarcas japoneses.

Para tornar mais fácil a compreensão, os historiadores costumam dividir a História do Japão em períodos :


Pré-História - Período Jomon (cerca de 7.500 a 300 a C.) e Yayoi (300 a C. a 300 d. C.)
Período Kofun ou dos Túmulos (meados do séc. III a meados do séc. VI)
Período Asuka (meados do séc. VI até o início do séc. VIII)
Período Nara (710-784)
Período Fujiwara / Heian(784-1192)
Período Kamakura / Regência Hojo (1192-1338)
Período Ashikaga (1338-1573)
Período Oda-Toyotomi (1573-1603)
Período Edo ou Tokugawa (1603-1867)
Japão Contemporâneo : Era Meiji (1868-1912), Era Taishô (1912-1926), Era Shôwa (1926-1989) e Era Heisei (1989 - ...)

Grande parte da cultura japonesa teve como influência a cultura da China, que chegava ao Japão tornando-se parte do cotidiano. Exemplo disso foi que no séc. VI, por volta do ano de 538, marcou a data da introdução oficial do Budismo no reino de Yamato trazido do território chinês. Foram construídos templos como o Shiten-oji e Horuji.

Logo depois houve também a introdução de Kanjis (origem chinesa) e dos ensinamentos do filósofo chinês Confúcio (551-479 a. C.). Por volta do séc. VII estes Kanjis foram simplificados e adaptados à língua japonesa, dando origem aos silabários denominados Hiragana e Katagana. Essas modificações contribuíram para o surgimento dos primeiros escritos da literatura japonesa no séc. VIII. As crônicas pseudo-históricas do Japão: o Kojiki no ano de 712 (redigido em japonês), o Nihon-Shoki no ano de 720 (escrito em chinês) e uma antologia de toda a poesia japonesa escrita desde o séc. IV, o Man-yô-shu no ano de 780.

Esses marcos culturais deram início, a partir do séc. IX, ao que os historiadores chamam de "niponização" ou seja, o desenvolvimento de padrões próprios sócio-culturais japoneses.

No período Fujiwara / Heian (784-1192) caracteriza-se pela expansão territorial ao norte de Honshu e da consolidação do poder a partir do ano de 858 da família Fujiwara, conservado até meados do séc. XII. Esse período de paz e desenvolvimento cultural é considerado a era "clássica "do Japão, que estava fragmentado em vários partes ou territórios dirigidos por grandes proprietários (senhores).

Essa paz foi quebrada com a disputa entre clãs (famílias) rivais, culminando com a vitória do chefe do clã Minamoto Yoritomo (1147-1199) que derrubou do poder o clã dos Fujiwara. Confiscando as terras dos senhores que lhe eram hostis, Yoritomo formou um governo paralelo ao do Imperador, instaurando uma sociedade quase feudal alicerçada sobre relações de assistência e de fidelidade estabelecidas sobre os vassalos. Distribuiu terras aos camponeses, ao mesmo tempo que lhes conferiu um status inferior ao dos guerreiros (Samurais).

No ano de 1192, Yoritomo se tornou Shôgun (Generalíssimo) e o Tennô (Imperador) perdeu sua autoridade. Estabeleceu se Bakufu (Governo Militar) em Kamakura, pondo fim ao "Regime dos "Imperadores Isolados". Após a morte de Yoritomo (1199), um senhor do clã Hojo assumiu a regência do Bakufu.

Foi neste período que aconteceu a tentativa de invasão do arquipélago japonês pelos mongóis (que já haviam invadido a China e a Coréia) sob a liderança de Kublai-Khan. A primeira tentativa ocorreu no ano de 1274, quando os mongóis chegam a desembarcar no norte da ilha de Kyushu, mas um violento tufão afunda a maioria das embarcações mongóis, fazendo com que seus guerreiros se dispersem. Em 1281, foi organizada uma segunda expedição contra o Japão, desta vez mais forte e bem equipada. Antes mesmo de chegar a desembarcar, novamente um grande tufão destroça toda a frota mongol as costas de Kyushu. Esse importante acontecimento histórico deu origem a famosa expressão expressão Kamikaze - Vento Divino.

No ano de 1333 o Imperador Daigo II (1288-1339) restaurou o poder com a ajuda de Ashikaga Takauji (1305 - 1358), tomando e incendiando a cidade de Kamakura. Esse período, séc. XIV e XV, foi marcado por várias guerras internas entre os daimyos (senhores feudais) aliados e inimigos do Shôgun . Nessa época, mais precisamente no ano de 1542, os navegadores portugueses chegam ao Japão trazendo além da religião católica, entre outras coisas, as armas de fogo (mosquetes), que impressionaram muito os japoneses. Esses acontecimentos marcam os primeiros contatos oficiais do Japão com o Ocidente.

A partir de meados do século XVI, três nomes foram muito importantes para a História do Japão: Oda Nobunaga (1534-1582), Toyotomi Hideyoshi (1537-1598) o "Napoleão Japonês" e Tokugawa Ieyasu (1543-1616).

Em 1568, um senhor feudal do norte, Oda Nobunaga, consegue vencer seus adversários, marchou sobre Quioto e fez-se nomear Shôgun. Mais tarde traído por um de seus generais, suicidou-se (1582). Toyotomi Hideyoshi assumiu a sucessão de seu senhor.

Hideyoshi fez com que o filho de Nobunaga Oda fosse eleito Shôgun, mas conservou o poder . Dentre as principais medidas adotadas no período por Hideyoshi destacam-se a transferência da sede do governo para Osaka, determinou o recenseamento geral das terras , interditou o porte de armas aos não-samurais, em 1586, reuniu um poderosos exército para submeter os grandes daimyos independentes e lançou-se à conquista da Coréia em 1592 e depois a China. A partir de 1595 após várias derrotas o Japão abandona a Coréia.

A vitória de Tokugawa Ieyasu sobre os outros daimyos na Batalha de Sekigahara (1600), e o estabelecimento do seu Bakufu no centro de seus domínios, em Edo (atual Tóquio) que se torna a nova capital, marcam a unificação política do Japão e o início de um período de estabilidade política para o Japão que durou quase 300 anos.

Considerando a influência nociva da cultura européia e temeroso que os europeus viessem a tomar conta do Japão em 1616, o novo Shôgun, Tokugawa Hidetaka, dá início a política de isolamento voluntário do Japão em relação aos países do Ocidente . Logo depois todos os portos japoneses foram fechados aos navios europeus, exceto Hirado e Nagasaki e os japoneses convertidos ao cristianismo foram perseguidos. Havendo uma grande rebelião cristã e camponesa em Shimabara, culminando com os martírios dos cristãos em 1637 e 1638.

O país foi fechado aos estrangeiros, exceto aos chineses e aos holandeses, que foram autorizados a frequentar Deshima, uma parte do porto de Nagasaki. Entre 1603-1853 o Japão praticamente fechou suas portas para o Ocidente .



Bibliografia:

BATH, S. Japão : Ontem e Hoje
São Paulo, ed. Ática, 1993

KUNIYOSHI, C. Imagens do Japão: Uma utopia dos viajantes
São Paulo, Estação Liberdade / FAPESP , 1998

PANIKKAR, K.M. A Dominação Ocidental na Ásia : Do século XV até nossos dias
Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1977

YAMASHIRO, J. História da Cultura Japonesa
São Paulo, IBRASA, 1986

Japão : Passado e Presente
São Paulo, Aliança Cultural Brasil-Japão, 1997.



Texto: Grupo Japoeste
Última Atualização ( 05 de September de 2008 )
 

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